Outra margem de mim…
É muito tempo a desejar o tempo
de mudar ventos, levantar marés
É muita vida a desejar o alento
que faz saber ao certo quem és
É funda a toca onde te escondes tanto
Tem a distância entre o silêncio e a voz
A vida rasga bocadinhos gastos do mundo
vai descascando até chegar a nós
E tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
do que o medo fechou
São muitos dias a perder em vão
sem nunca entrar dentro do labirinto
É muita vida a não ser o que tu sentes
a planar sobre o que eu sinto
É quase noite, não te escondas mais
vai desatando até entrar o ar
Dá-me um gesto que me diga o teu fundo
uma palavra para te tocar
Tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
do que o medo fechou
Tu que sabes tanto do sol
e és uma espécie de outra margem de mim
Olha-me dentro como chão que me agarre
Pode ser esta noite quente
a estrada aberta mesmo à nossa frente
E tu e eu a descobrir o ar
Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver..
Para ti*
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